Compreender o Cancro da Mama

Factores de risco

Quando alguém é diagnosticado com cancro da mama, é natural que se questione o porquê do aparecimento da doença.

Não se conhecem as causas específicas para o desenvolvimento do cancro da mama. Sabe-se que embates violentos na mama não provocam, por si só, cancro da mama; no entanto, é conveniente ter cuidado com as mamas. Sabe-se também que o cancro da mama não é contagioso: ninguém "apanha" esta doença por outra pessoa.

A investigação tem demonstrado que há mulheres que apresentam um risco aumentado para desenvolverem cancro da mama, que se pensa estar associado a determinados factores de risco (factores que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença). Foram já identificados alguns factores de risco para o cancro da mama:

  • Idade: a probabilidade de ter cancro da mama aumenta à medida que se envelhece. O cancro da mama é menos comum antes da menopausa.

  • História pessoal de cancro da mama: uma mulher que já tenha tido cancro da mama (numa mama), tem maior risco de ter esta doença na outra mama.

  • História familiar: o risco de se ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar de cancro da mama (mãe, tia ou irmã com cancro da mama, especialmente antes dos 50 anos). Ter outros familiares com cancro da mama ou do ovário, do lado materno ou paterno da família pode, também, aumentar o risco.

  • Alterações genéticas: alterações em certos genes (BRCA1, BRCA2, entre outros) aumentam o risco de cancro da mama. Testes genéticos efectuados em famílias onde muitas mulheres tiveram a doença, podem, por vezes, revelar a presença dessas alterações genéticas específicas. Assim sendo, em mulheres que apresentem estas alterações genéticas, podem ser sugeridas medidas para tentar reduzir o risco de cancro da mama e melhorar a detecção precoce da doença.

  • Historial reprodutivo e menstrual:
    • Mulheres que nunca tiveram filhos
    • Primeira gravidez depois dos 31 anos
    • Primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade),
    • Menopausa tardia (após os 55 anos)
    • Mulheres que tomam terapêutica hormonal de substituição (apenas com estrogénios ou estrogénios e progesterona), durante 5 ou mais anos após a menopausa parecem, também, apresentar maior possibilidade de desenvolver cancro da mama.

  • Raça: o cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente a mulheres Latinas, Asiáticas ou Afro-Americanas.

  • Radioterapia no peito: mulheres que tenham feito radioterapia ao peito, incluindo as mamas, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado para cancro da mama; esta situação inclui mulheres com linfoma de Hodgkin que foram tratadas com radiação. Estudos publicados demonstram que, quanto mais nova era a mulher, na altura dos tratamentos com radioterapia, mais elevado é o risco de vir a ter cancro da mama.

  • Algumas alterações da mama: algumas mulheres, apresentam células mamárias que parecem anormais, quando vistas ao microscópio; ter determinado tipo de células anormais, como sejam a hiperplasia atípica ou o carcinoma lobular in situ, aumenta o risco de cancro da mama.

  • Densidade da mama: mulheres que apresentam mais tecido denso (não gordo) numa mamografia do que outras mulheres da mesma idade, têm risco aumentado para cancro da mama.

  • Obesidade após a menopausa: o aumento de peso, após a menopausa, aumenta o risco de cancro da mama. A obesidade está relacionada com uma proporção anormalmente elevada de gordura corporal; tendo em conta que o corpo produz alguns estrogénios (hormona feminina) no tecido gordo é, assim, mais provável que as mulheres obesas apresentem níveis elevados de estrogénios e, consequentemente, risco aumentado para cancro da mama.

  • Inactividade física: mulheres que são fisicamente inactivas, durante a sua vida, parecem ter um risco aumentado para cancro da mama; estar fisicamente activa pode ajudar a diminuir este risco, através da prevenção do aumento de peso e da obesidade.

  • Bebidas alcoólicas: alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e o risco aumentado de ter cancro da mama.

É útil saber e estar consciente dos factores de risco, ainda que muitas mulheres com estes factores de risco não apresentem cancro da mama. Muitos dos factores de risco aqui citados podem ser prevenidos; outros, como a história familiar, não podem ser evitados.

A maioria das mulheres que desenvolvem cancro da mama não tem história de cancro da mama na sua família; de facto, com excepção do envelhecimento, muitas mulheres com cancro da mama não apresentam fortes factores de risco para a doença.

Se pensa estar em risco de ter cancro da mama, deve discutir este facto com o médico; este pode sugerir modos de reduzir o risco e planear um calendário adequado para os exames médicos.

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